Vou agora quebrar algumas barreiras éticas e partilhar alguns casos caricatos que me sucederam a mim, colegas, ou amigos (sim, porque eles também quebraram barreiras éticas, né? senão eu não sabia!!)
Em pleno Inverno, tou eu lá na farmácia, minding my own busyness, e entra uma mulher toda acelerada... "Arranje-me aí um Ben-U-Ron, um Cêgripe, e um antibiótico qualquer para a dor de garganta, pode ser o Clamoxyl!"... Ok, rewind, slow the hell down, start over... Depois de explicar à mulherzinha que não existe tal coisa como um "antibiótico para a dor de garganta", e que se o médico lhe passa sempre o raio do antibiótico é porque infelizmente a classe médica não tem noção de metade das consequências da palhaçada que faz (Politicamente correcto Kriz, pensa politicamente correcto!!!)
Sim, porque eu acho "piada" (quando na verdade não tem piada nenhuma) quando chega gente com receitas de azitromicina e me diz que está gripado... Sim, porque a gripe, um VIRUS, trata-se com um antiBACTERIANO, claro, né? E logo um macrólido claro, para ver se daqui a uns anitos anda tudo a ouvir mal...
Enfim, vou parar de refilar sobre antibióticos, porque isto nunca mais vai a lado nenhum... Passemos a casos mais caricatos...
Seja a velhinha que vai comprar tantum verde, e depois diz "ai menina... eu ontem estava com tanto desespero, mas tanto desespero, "lá em baixo", depois enchi o bidé, deitei umas gotinhas disto, e passou que nem um mimo"
Seja o homem que está para lá a refilar que a mulher nunca teve diabetes, e depois esteve internada no hospital, e veio de lá com diabetes (está é uma das verdadeiras pérolas... quase tão engraçado como o Franck acreditar que pode "apanhar hemorroidas" ao sentar-se em assentos de autocarro que estejam quentes...)
Já ontem, chega uma mulher para fazer um teste de gravidez... Mando-a entrar, dou-lhe o frasquinho para a mão e aponto para a casa de banho...
Ela - ah, mas agora não tenho vontade de fazer chi-chi...
Eu - ah, ok, nesse caso pode esperar lá fora... ou se preferir pode ir dar por aí uma volta e voltar mais tarde
Ela - Não, não quero ir dar uma volta, quero fazer o teste agora!
Sim, porque faz um sentido daqueles, né?! Ficou lá meia-hora sentada à espera de ter vontade, só faltou ir fazer-lhe "ssssshhhhh" ao ouvido, ou por-lhe a mão em água morna! Valeu a espera, se é que me entendem, embora não me parecesse que foi o resultado que esperava...
O que me faz lembrar um outro caso, que de certa forma me revoltou... Entra lá uma mulher cheia de power "boa tarde, queria fazer um teste de gravidez... E já agora, se der positivo, tem aí alguma coisa para eu abortar?"... Lá tive que lhe explicar que essa abominação a que chamam aborto é uma coisa que nos dias de hoje está legalizada, EM HOSPITAIS, e não introduzindo medicamentos anti-ulcerosos na dita-cuja, mas com intervenções menos perigosas (embora igualmente repugnantes e traumáticas)...
Bem, vou publicar o post antes que entre mais fundo em terreno polémico (hoje não tou com paciência)


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