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Luar sem Estrelas

Dei-te o mesmo nome... Tudo o que te peço é que não o deixes ficar mal...

Um Merecido Descanso (A.K.A. Mãos à Obra)

Ok, estou finalmente de férias! Digo "finalmente" porque comecei a trabalhar dia 8 de Julho do ano passado (no dia seguinte à entrega do meu projecto de final de curso), e estou a ter férias pela primeira vez... É apenas uma semana, mas talvez seja aquilo que estou a precisar...

O meu horário de trabalho é das 14h as 22h, e quando se é um canceriano (pecado capital = preguiça) é dificil acordar cedo... Isto é, acordo sempre por volta do meio-dia (quando não é mais tarde) e depois preparo-me, almoço, e lá vou eu para o trabalho... Isso não deixa muito tempo para... sei lá... viver, não é? Claro que quando chego a casa, por volta das 23h, não consigo simplesmente devorar o meu jantar aquecido, deitar-me e adormecer... Fico sempre até tarde a ver séries no portatil ou assim (Agora que estamos a finais de Maio e as temporadas estão praticamente todas a acabar, a minha vida vai-se tornar um inferno!) e depois claro que não consigo levantar-me cedo no dia seguinte, especialmente porque não há nada que me motive para tal...

Cada dia que passa digo a mim mesmo que "é so uma fase", e vou deixando o tempo passar até me decidir a passar a deitar mais cedo, para mais cedo acordar, e para começar a fazer alguma coisa com a minha vida (nem que seja exercício físico, God knows I could use some)

E o tempo vai passando... E bem, já passou quase um ano que me tornei nesta vampiresca forma de vida, so to speak, e pouco ou nada fiz para mudar isso... As minhas secretárias e armários estão uma desarrumação... Pastas de coloquios e congressos para um lado e para o outro... CDs por todos os cantos... Livros meio lidos por todo o lado... mais uma vez uma desordem "temporária" que tem vindo a alongar-se meses a fio... Acho que sei porque estou assim... Lembro-me que foi tudo muito rápido para mim (acabar o curso, comprar carro, arranjar emprego) e que honestamente ainda hoje me sinto um pouco atordoado com essa brisa de mudança (BRISA?! Mais pareceu um TORNADO!)

Oh, mas esta semana vai dar para mudar tudo isso! Vai ter que dar! Vou dar uma arrumação na secretária aqui do quarto, arranjar um bom sitio no sotão onde pôr a tralha toda... E assim que isso estiver feito, toca a voltar à leitura (ao fim e ao cabo, a maioria das minhas séries de eleição já chegaram ao fim este ano)...

Ah, a leitura... Quem vai comigo à Fnac ou à Bertrand, ou qualquer outro sitio com livros à venda, for all that matters, sabe que me perco facilmente e acabo por comprar mais um de Nicholas Sparks, Stephen King, ou qualquer outro integrante da minha longa lista de livros que ainda quero comprar... (Neste momento ainda restam cerca de 35 livros dessa lista)

No entanto, embora continue a comprar livros como se não houvesse um amanhã, ultimamente não me consigo dedicar à sua leitura... Antigamente lia livros num ápice... A minha mãe ficava fula... Não conseguia tolerar que eu lesse 6 livros dos "Arrepios" numa única tarde... Não me podia estar sempre a comprar livros, dizia... (Nem a aturar os meus pesadelos)

Com os livros do Harry Potter foi a mesma coisa... Quando a saga se tornou popular e saiu o primeiro filme, a minha mãe resolveu oferecer-me os primeiros três livros no Natal... Bem, apenas duraram para essas pequenas férias... O quarto livro, comprado mais tarde numa feira do livro, foi lido em cerca de uma semanita... Os restantes foram comprados algum tempo depois do seu lançamento (não, não fui nenhum dos loucos que ficam horas em filas para comprar o livro...) em Português (Podia ter lido a versão original, mas queria ter todos no mesmo idioma)...

Os livros de Dan Brown, li-os na ordem inversa, pois foi a ordem em que foram lançados em Portugal... Primeíro "O Código de Da Vinci", depois "Anjos & Demónios", "A conspiração", e finalmente "Fortaleza Digital", assim que foi lançado... Cada um durou pouco tempo nas minhas mãos, e aguardo impacientemente o lançamento de "A Chave de Salomão"...

O meu primo uma vez emprestou-me "Um Momento Inesquecível", o primeiro livro que li de Nicholas Sparks... Lembro-me como fosse ontem, que o comecei a ler à meia-noite, e só consegui parar às três da manhã, quando voltava a última pagina, e enquanto as lágrimas ainda rolavam incessantemente pela minha face... Foi provavelmente o único livro que li duas vezes, pois repeti a leitura (e o choro) quando me foi oferecido quando fiz 17 anos... O filme também está bom, mas não se aproxima sequer da grandeza do livro... O segundo livro dele que li foi "Corações em Silêncio", que embora não tenha sido tão marcante, foi um bom livro... Quanto a "As Palavras que Nunca te Direi" e "O Diário da Nossa Paixão", apenas vi os filmes, para já... No que toca a "O Sorriso das Estrelas", tenho o filme, mas queria ler o livro primeiro...

Quando a minha tia me ofereceu o "Perfume", de Patrick Süskind, devorei-o tão rapido e com tanto entusiasmo como o próprio Grenouille perseguia uma fragrância... Devo dizer que fiquei um pouco assustado com a empatia que senti por esse estranho ser... Depois ofereceu-me "O circulo do medo", o quarto volume de "A saga das pedras mágicas" de Sandra Carvalho, provavelmente sem saber que se tratava de uma continuação... Então, encomendei os primeiros três na Fnac, e enquanto esperava por eles li o meu primeiro livro de Stephen King, "Misery"... Oh, o terror psicológico que as páginas de King provocam é alucinante... Um dos últimos livros que li, "A História de Lisey" é fascinante, uma história de amor repleta de terror psicológico... Um livro tão perturbador, mas tão perturbador, que me era impossivel evitar uma sensação de aconchego enquanto o lia... Talvez por sentir esse lado negro a chamar-me, qual Scott Landon, tive que fazer longas pausas durante a leitura dessa livro, fazendo-o durar uns bons meses... Foi de seguida que li "Quem Ama Acredita" e "À Primeira Vista", de Nicholas Sparks, para tentar afastar da minha mente o negro romance de Lisey e Scott...

Comecei o "Memoria Traiçoeira" de Sebastian Faulks há imenso tempo, e acreditem, estava a adorar aquele livro... Mas tal como com Jean-Baptiste Grenouille, e com Scott Landon, comecei a sentir uma perturbadora empatia pela conturbada mente de Mike Engleby, e deixei o livro num hiato... Comprei "Os Três Reinos", o quinto livro de "A Saga das Pedras Mágicas" e comecei a lê-lo, mas também esse foi deixado a um canto... Aborreci-me, embora o enredo não esteja propriamente mau...

Vou dando uma e outra olhadela à estante e reparo nos livros que lá tenho que ainda mal abri...
"Watership Down" de Richard Adams, um clássico que me fartei de procurar e que tanto anseio ler...
"Insónia", "Cell", "Carrie", "A Maldição", "O Retrato de Rose Madder", todas grandes obras do Mestre King...
"Laços que Perduram" de Nicholas Sparks...
E "O Sentido da Noite", de Michael Cox, um outro livro curioso e perturbador que once upon a time comecei a ler e não me vi capaz de continuar...


Mas...


Hoje isso muda... Vou pegar no livro que está em cima da minha mesinha de cabeceira e ver qual o destino que Sandra Carvalho traçou à Guardiã da Lágrima do Sol... E assim que terminar esse livro, quem sabe não volto a dar uma olhadela à vida de Engleby? Pode ser que esse despertar do meu lado mais obscuro não seja tão mau assim... Se ponderar bem a situação, tenho vivido uma verdadeira fase de gomer, qual Scott Landon, e isso acaba por ser bem mais "negro" que esse lado obscuro, no qual consigo sentir a minha velocidade de raciocínio voltar ao seu acelerado ritmo, a minha inspiração a emanar pelos poros, a minha energia a fluir pelos músculos, e a minha imaginação a ganhar asas e voar, bem alto... Talvez esse lado obscuro não seja um sinónimo de trevas, (Boo'ya Moon era bela durante o dia) mas sim uma espécie de crepúsculo, em que ainda seja possível ver no céu o azul do dia, enquanto se aproxima o luar... (sem estrelas...)

Pode ser que finalmente desencadeie a lise deste trombo que tem vindo a obstruir a minha veia poética...
Pode ser que me devolva a inspiração para escrever, porque ideias gerais não me faltam...
Pode ser que seja como uma mão que me auxilie para fora desta lenta mas movediça areia que me tem vindo a engolir sem me aperceber...
Pode ser que finalmente engate a primeira e arranque deste estacionamento na estrada da minha vida...
Pode ser que me traga inspiração para arranjar metáforas melhores da próxima vez, porque estas dão dó...
Ou pode ser que nada disso suceda, mas como uma grande e conturbada mente uma vez disse:

"Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena"
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