Blue Orange Green Pink Purple

Luar sem Estrelas

Dei-te o mesmo nome... Tudo o que te peço é que não o deixes ficar mal...

Sonhos

São nove da manhã, a um domingo, e estou acordado... Se tivesse que ir trabalhar isso seria perfeitamente normal... Alias, estaria atrasado... Mas não tenho que ir trabalhar (ui! de folga?! belisquem-me!)

Acordar às nove da manhã não pode ser considerado propriamente madrugar, eu sei... Mas tendo em conta que eram 04h00 e tive que me levantar da cama para lembrar ao meu irmão que estava gente a TENTAR adormecer, e para ele pôr o raio de uns phones enquanto vê porcarias no youtube (provavelmente relacionadas com aquela fantuchada da WWE) a essas horas da madrugada...

Estou acordado por uma razão muito simples... Tenho sonhado... Dia após dia... Quer dizer, provavelmente sonho todos os dias, mas praticamente nunca me lembro com o quê... Mas esta última semana, tenho-me lembrado de todos... Esses sonhos têm estado sempre assombrados pela mesma figura... Não são sonhos maus, pelo contrário... (Também não são nada ero-relacionados, nada mesmo... O meu inconsciente é muito púdico, não tem sonhos desses, tem que se contentar com pornografia)

Esta noite por exemplo, sonhei que estava no msn, a falar contigo e com uma amiga minha, na mesma janela... (Era de esperar que em sonhos ultrapassasse essa barreira e estivessemos frente a frente não?) Não me lembro de nenhum detalhe por aí fora, mas sei que a dada altura mencionei dEUS (a banda, não Ele) e a minha amiga disse que nunca tinha ouvido falar... Tu passaste-te, começaste a gritar (a falar com o CAPS LOCK activo, a bem dizer) que dEUS era uma banda mítica, que era de uma impensável falta de cultura ela não a conhecer, que tinha sido uma banda de grande impacto em Portugal nos anos 90 (ah?! eu sei que não faz sentido, mas era um sonho...) e a minha amiga ficou ofendida e acabou por bazar, e ficou a pensar que eras uma cabra inapta para viver em sociedade... Eu achei que foi um pouco exagerado, mas adorei que uma das minhas bandas preferidas fosse das tuas também...

O resto do sonho está assim um pouco vago... Mas lembro-me de estar num wc público, a fazer o que se faz num wc, quando ouvi qualquer coisa estranha (conversa, tiros, não sei, não me lembro mesmo) e acho que isso estava relacionado com Matrix... (?!) Take the red pill Neo... The Blue one's Viagra...

Quanto aos sonhos ao longo da semana, sei que já envolveram mais contacto físico (mas igualmente desprovidos de carácter erótico)... Tipo, uma casa, uma vida feliz, enfim, sonhos com tão pouco terror e dor que mais pareciam uma espécie de transe forçado... Como naqueles filmes de ficção cientifica quando "o mau" captura "o bom" e o liga a uma máquina qualquer com muitos fios, e ele fica a ter sonhos de uma vida perfeita até que tem que conseguir largar isso tudo para se libertar e salvar o mundo... Acho que já vi uns quantos filmes assim, mas não consigo apontar nenhum assim de repente...

Só sei que fiquei sem vontade de voltar a dormir... Sinto-me perturbado... I may just be going crazy...
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Ansiedade

Ansiedade... Expectativa... Stress... Nervosismo... Chamem-lhe como quiserem... O facto é que é sempre uma sensação chata... Imaginem estar à espera de alguma coisa, hipoteticamente claro... Hipoteticamente, a consultar o e-mail de 2 em 2 minutos, no telemóvel, no trabalho... e hipoteticamente, quando vêm o "Caixa de Entrada (1)" ou "Caixa de Entrada (2)", todo o corpo se cobre de um tal formigueiro que o raio da net do telemóvel não é suficientemente rápida para aliviar... Depois, hipoteticamente, descobrem que essas mensagens novas na caixa de entrada não são aquilo que esperavam, mas sim junk mail... Ou são mensagens da câmara municipal (maldito cartão jovem... Pouco desconto me trouxeste nas malditas férias ao algarve, e trouxeste contigo uma eternidade de e-mails e cartas da câmara), ou são mensagens de "promoções" da fnac e assim (vírus informaticos muito mal disfarçados para um bom observador), ou são daqueles malditos mails que se não reencaminhar nunca encontrarei o verdadeiro amor (começo a achar que devia ter prestado ouvidos a essas coisas)...

Tendo em conta que trabalho numa farmácia, era de esperar que comprasse alguma coisa para tratar disso né? Pois, mas eu nem um cêgripezito tomo... O que deixa as coisa mal paradas para o meu lado, uma vez que foi confirmado um caso de gripe A lá perto do meu local de trabalho... (Ainda morro antes de receber o tal mail...)

Claro que eu "não acredito" nessas "gripes"... Já a das aves foi o que foi... Íamos morrer todos, não ía ficar ninguém... E cá estamos, não é mesmo? Então a Roche gastou milhões e milhões na produção de Oseltamivir... E agora há Oseltamivir a mais, e antes que passe do prazo, convém subornar um pouquinho a media para ajudar a espalhar o pânico... A media agradece, ao fim e ao cabo, a Maddie já desapareceu há tanto tempo, já tamos todos fartos de ouvir falar de ataques terroristas, e a pedofilia já não vende jornais... E claro, o Michael Jackson só morre uma vez...

Isso é outra coisa em que não acredito... O Michael Jackson não morreu... Foi posto num daqueles programas de protecção de testemunhas (como o Elvis, e o D.Sebastião), e por isso foi declarado morto... Ok, eu sei que é de mau gosto brincar com isto, mas também é de mau gosto a Optimus mandar mensagem a dizer qualquer coisa tipo "homenageia o rei do Pop comprando waiting rings do Michael Jackson" poucas horas depois da morte do homem... E ninguém pensa no Macaulay Culkin e como ele se deve estar a sentir Sózinho em Casa pois não? (A sério que pensei que isto acabaria por ter piada se eu o repetisse muitas vezes)

Bem, já estou a divagar imenso, e a não dizer absolutamente nada de jeito... É manifestação da minha dor de cabeça (Será gripe A?)
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Perdidos e Achados

Perder... Ninguém está livre disso, né? Por vezes podemos ter o maior dos cuidados com alguma coisa, e ainda assim, quando precisamos dela, já ela desapareceu... "Vou guardar aqui para não me esquecer", é o que a minha mãe pensa quando guarda alguma coisa... No entanto, raramente encontra seja o que for quando precisa :P

Hoje troquei de horário com um colega de trabalho porque ele perdeu a carteira, e precisou da manhã livre para ir tratar dos documentos dele... Até me soube bem trocar... Sinceramente, ando a embrutecer devido ao meu estilo de vida vampiresco... Acho que vou pedir à "entidade patronal" para me pôr a rodar juntamente com os outros (ao fim e ao cabo, os meus novos colegas ainda moram mais longe, porque haveria eu de ter o "horário previlegiado"?)... Pode ser que até comece a apanhar um bocadinho de sol e tal, e talvez isso me ajude a regular o sono (embora eu saiba bem o que o perturba)...

Perder a carteira... Coitado... Senti uma certa empatia devido ao meu historial... No meu 2º ano de faculdade, perdi a carteira 3 vezes... A primeira vez foi logo no início do ano, após um jantar de curso (jantares de curso... feels like a lifetime ago), no Diu... Lembro-me de reparar, à ida para o Mau Mau (xiiii, discoteca?! Onde isso lá vai!), que não tinha a carteira comigo!! Corri (aos S) de volta ao Diu, para ver se a tinha deixado lá... nada... os meus amigos insistiram comigo para que fosse ao Mau Mau na mesma... "Pagamos a entrada... anda lá... anda ao menos divertir-te..."... Bullshit! Lembro-me de passar a noite inteira encostado a uma coluna, e de várias pessoas me virem perguntar "ey, o que tens?" "perdi a carteira" "ey... isso é lixado..." toc toc, uma palmadinha no ombro, e voltavam à vidinha deles... Na manhã seguinte, por volta das 10h, acordei com o telemóvel a tocar... Quer dizer, já tinha despertado com as discussões dos meus pais(não estivessemos nós a falar de 2005, né?) mas o que me acordou MESMO foi o telemóvel a tocar, com uma chamada da ESTSP... Esfreguei os olhos para me certificar que estava a ver bem... Tossi uma ou duas vezes, para não parecer que tinha acabado de acordar (como se isso disfarçasse alguma coisa) e atendi... Tinham encontrado a minha carteira!! Uma velhinha (ainda há gente bondosa) tinha telefonado para lá... O marido encontrara a carteira enquanto passeava o cão na noite anterior, e a velhinha mal tinha dormido durante a noite, por pensar que eu nem tinha tido como voltar para casa, sem passe, sem dinheiro, sem nada... Levei um ramo de flores, cortesia da minha mãe, e fui buscar a carteira nessa mesma tarde...

A segunda vez que a perdi, foi menos complicada... Achei-a na mesma tarde, apenas umas horas depois, no café onde tinha almoçado... Mas à terceira, para fazer justiça ao ditado, foi de vez... Tinhamos ido ao cinema, no Parque Nascente, ver O Exorcismo de Emily Rose (os mais covardes foram ver Harry Potter... O Cálice de Fogo se não estou em erro... O trailer tinha um dragão, provavelmente do Torneio dos Três Feiticeiros, por isso deve ter sido o Cálice de Fogo...)... Anyway, durante o filme, após algumas partes assustadoras, ouvimos um BAQUE mesmo estranho... Virei-me para o lado, de olhos esbugalhados, para deparar com uma amiga minha com o mesmo olhar... "Também ouviste aquilo?" "Sim..." "Não foi no filme pois não?" "Não..." "Não quero ver o que foi" "Eu também não..."... Mais tarde cheguei à conclusão que o BAQUE foi provavelmente o som da minha carteira a cair do bolso do casaco... Voltei ao parque nascente no dia seguinte, antes do cinema abrir, depois de termos estado a "ensinar" parasitologia aos putos da primária com os nossos jogos interactivos ("ok, esta bola é frontline... atira o frontline contra as latas de Ice Tea que tem pulgas desenhadas... vês? derrubou não foi? o frontline mata pulgas, tás a ver?" "ya ya, dá cá a bola" oh pah, ideia de génio e não venham cá com coisas :P)... Quando cheguei ao cinema, mandaram-me dar uma volta... Não, literalmente, mandaram-me dar uma volta pelo centro comercial e perguntar aos seguranças... Já sabia que isso não ía dar em nada, porque tinha-a perdido DENTRO da sala de cinema... Depois voltei ao cinema e "Oh pah, se pudesse simplesmente deixar-me entrar e procurar"... Isso e um sorrisinho bastou para que o homenzinho consentisse (ele não me pareceu lá muito heterossexual, e se calhar estava a espera que eu me mostrasse agradecido...)... Entrei na sala de cinema, fui direito ao meu lugar, e nada... procurei na fila inteira, na fila da frente, e na fila de trás... N A D A... Ora, se a perdi na última sessão da noite, se fui lá antes da primeira sessão do dia seguinte, se não havia buracos na sala, e se apenas tinham estado lá as mulheres da limpeza, não preciso propriamente que venha o Hernani Carvalho dizer-me o que aconteceu à carteira, né?

Bem, estou a divagar bastante, porque comecei este post só para dizer que outro dia deixaram na farmácia uma mica (aquelas ceninhas de plástico onde se metem folhas A4, que têm uns furinhos para arquivar... Não lhes chamam "mica"?! Porra, só eu é que lhes chamo "mica"?!) com algumas folhas, entre as quais uma fantabulástica com uma letra, ou poema, ou whatever alusiva à matança do porco... E não resisti a colocá-la aqui...

Disclaimer: Quero deixar bem claro que não sou a favor da matança do porco... Partilho da filosofia da minha mãe (que não foi sequer capaz de ler o poema) que é basicamente "não me importo de comer o bicho, mas não gosto de pensar que o mataram"


Senhoras e meus senhores
vai começar a festança;
agarrei bem, sem temores
o porco para a matança!

Bem valente é o bicho...!
cada qual a uma pata,
à corda e ao rabicho
p´ra eu lhe meter a faca.


De tanto nome na terra
logo havia de ser porco.
Mandara eu, (quem me dera!...)
outro nome lhe havia posto.

Se outro nome houveras posto,
mesmo sonante e bonito,
seria como é teu gosto:
tomado por esquesito.


Que aconteceu, meu amigo,
que te faz andar tão torto?
doi-te abaixo do umbigo
ou foi marrada do porco?...

Não foi marrada do porco
e dores não sinto, não;
se me vês andar tão torto
é culpa do garrafão!


Muita carne tem o bicho,
muito lombo e pouco unto;
p'ra ti vão os chouriços
e eu fico com os presuntos.

Ainda que queiras os bofes
ou da carne entremeada,
contenta-te com os ossos
ou então não levas nada!



Bem... Deixa a lágrima no canto do olho, não deixa?
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Crítica Literária

"Tive uma consulta com a Doutorazinha Vidushi Sen hoje de manhã. Sentia-me bastante meditativo e - apesar de ter tentado evitar esse sentimento dentro de mim - sentia que gostava bastante dela. É tão nova! É também um produto da educação britânica moderna (isto é, pós-trahison des clercs), por isso não tem quase cultura geral nenhuma, e não está familiarizada com a gramática, as línguas estrangeiras, os mitos, as artes, e a história - nem antiga, nem moderna. Pobre criança, tens uma trabalheira pela frente.
A zona dos consultórios está a ser remodelada, por isso estávamos num quartinho numa ala antiga, que ainda tem as portadas vitorianas e as grades dos tempos em que era uma cela com paredes almofadadas. Agora está cbeia de pilhas de papéis e pastas e relatórios nunca lidos com títulos atemorizantes e duas cadeiras "confortáveis" do SNS, enlouquecidas pelo uso, e um armário de arquivo em cima do qual há um tabuleiro redondo com chávenas sujas de café e um pacote velho de leite. Lá fora andava um enfermeiro a rondar.
Iniciei a cavaqueira, como se espera que faça.
- Se a Doutora fosse Deus, por que razão se ausentaria da Terra?
Resposta, nada.
- Quero dizer, em termos divinos, qual é a finalidade de cá não estar? Qual é a função que isso serve?
Ainda nada de resposta.
- Tradicionalmente - continuei eu -, é-nos explicado que se trata de um "teste à nossa fé". Mas se a presença de Deus fosse evidente, então não se necessitaria de fé, pois não? De modo que é uma argumentação circular. E também parece ser uma argumentação ex post facto, não parece?
- O que é que você acha? - perguntou a Dr.ª Sen.
- Eu acho que um Deus sábio não concluiria que as vantagens de estar ausente pesem mais que as de estar presente.
- E?
- A consequência de estar ausente é que se atribui um valor excessivo à "fé" cega. Torna-se a crença acessível à credulidade humana. Torna-se a religião acessível à perversão das políticas e do fanatismo.
- E então?
- Eu teria achado que era melhor aparecer.
Silêncio
- Quero dizer, se o Woody Allen sabe que noventa por cento do sucesso se garante simplesmente por aparecer, pensar-se-ia que o Todo-Poderoso também já teria percebido isso.
Silêncio mais prolongado. Tentei fazê-la falar, pondo um ar feroz e todavia permanecendo em silêncio.
- Você é crente? - perguntou ela por fim.
- Acha que sou? Eu vejo pessoas fazerem que sim com a cabeça em frente ao Muro das Lamentações e acho que Deus precisa mais de nós que nós precisamos dele. É tudo uma questão de ausência não é?
A sobrancelha.
- Dizem que a presença de uma pessoa é mais intensa imediatamente após ter partido.
- Está a falar de alguém que ama? - perguntou a Dr.ª Sen.
- Não é palavra que eu use.
- Nunca? - e sem querer. - Nunca amou ninguém?
- Tanto quanto eu entendo, o amor é algo que cessa de existir se deixarmos de o sentir.
Outra vez a sobrancelha.
- "O nosso amor morreu." Já ouviu dizerem isso, não ouviu? Com sinceridade e dignidade. O "amor" é uma força ou um valor pelo qual a maioria das pessoas afirmariam reger as suas vidas. Porém, se deixar de o sentir então ele já não existe.
- E?
- É como o medo ou a inveja. Um dia sentimos inveja de outra pessoa; noutro dia, sem qualquer razão discernível, simplesmente não a sentimos. Às vezes vamos dentro de um carro, com medo; outras vezes, com o mesmo condutor, não vamos. O "amor" é assim. Sente-se, não se sente. Não há nada de errado nisso. Mas de certeza que o torna demasiado instável para lhe atribuirmos uma posição previlegiada na nossa vida... quanto mais usá-lo como base da nossa vida.
- E que você atribuiu uma posição privilegiada na sua vida?
Era uma pergunta bastante boa.
- À exactidão - disse eu.
- A quê?
- À integridade dos factos.
- E é tudo?
Sorri.
- Está a pensar que isto parece um pouco "frio"? Bem, não me parece de certeza que em retrospectiva se pudesse dizer que a minha vida tem sido... Uma expressão que lhe agradasse a si? Já sei, já sei. Não se poderia dizer que eu estivesse "do lado da vida".
A Dr.ª Sen não respondeu.
- Ninguém descreveria a minha história como "um sim à vida", pois não?
Eu ri-me, mas ela não.
- Não. E suponho que se não estive do "lado da vida", então terei de ter estado do outro lado.
- E que lado é esse?
O lado da morte, obviamente. No entanto, não o disse, porque não a queria perturbar. Mas depois de a consulta ter terminado, pensei nisso. Na minha vida nunca estive propriamente de lado nenhum, e isso talvez seja parte do problema. Talvez devesse simplesmente escolher uma causa, como as pessoas escolhem uma equipa de futebol, não porque "é" a melhor, mas apenas porque lhes dá algo em que acreditar, como um boneco ou um ídolo.
Por outro lado, fazer tal coisa de maneira consciente, admitir que me estou a enganar a mim próprio, seria como abdicar de qualquer conceito de integridade."

Excerto de "Memória Traiçoeira", de Sebastian Faulks, bem perto do final do livro... Acabei de o ler aí pela semana passada ou assim... Ah, as saudades que Mike Engleby me vai deixar... Este é definitivamente um livro que voltarei a ler... Tenho pena que grande parte do livro me tenha passado ao lado, uma vez que pouco ou nada percebo de arte, literatura, política, e até mesmo história... Mas aquela personalidade mórbida, aquela mente reflexiva, a atenção ao detalhe, a repulsa por certas e determinadas regras sociais (e religiosas)... Dos pensamentos mais parvos às derivações mais sombrias, eu bebi as palavras de Mike Engleby no seu atormentado "diário"... E o pior é que vi o meu modo de pensar espelhado em certos momentos... Assinalei a negrito alguns desses neste excerto...

Acho que foi um dos melhores livros que li nos últimos tempos... Talvez equiparado a "A História de Lisey" de Stephen King... Depois de acabar o livro tive que ler um de Nicholas Sparks, para dissipar um pouco a imagem de Engleby da minha memória... Da prateleira escolhi o recém-adquirido "O Diário da Nossa Paixão", e qual não foi a minha surpresa, gostei muito mais do FILME que do LIVRO... Sim, gostei mais de um FILME baseado num LIVRO que do próprio livro... Eu acredito que deve ser crime nalguns países, e provavelmente passível de um castigo de grau extremo em algumas religiões, mas não o posso evitar... É que o raio do filme está muito melhor que o livro... Quer dizer, o livro não é mau, mas o filme tá bem melhor e pronto... Claro que há coisas que no filme estão estúpidas, como o Noah escrever-lhe 365 dias durante um ano, quando na verdade foram dois anos (e não foi diariamente, ok? give the guy a break)... Mas acho que o livro tem "sexo" a mais, tipo, fiquei chocado ao ler "sentiu um calor entre as pernas" e coisas do género num livro de Nicholas Sparks... Não sou púdico nenhum, mas aquilo parecia deslocado... Além do mais, passei o livro todo à espera da discussão deles, que tanto gostei no filme... Mas NADA... "Onde está a discussão?! Eles discutem!! O que aconteceu à discussão?!"... Acho que torna as coisas mais reais... Acho que se tivesse lido o livro primeiro estaria a criticar o filme, e por um lado isso serve-me de algum consolo... No entanto, achei a história do filme bem melhor, e pronto.

Quando acabei de ler esse livro comecei o "Cell", de Stephen King, e adorei. Não o "adorei" ao ponto de o colocar no mesmo pódio que "Memória Traiçoeira" e "A História de Lisey", porque simplesmente é um estilo diferente, mas o facto é que a história está de génio... Faz-me muito lembrar o filme "Dawn of the Dead" (Não vi o original de 1978, por isso refiro-me ao remake de 2004), e os próprios personagens o admitem durante a história... Estão a ver que filme é, certo? "Quando o inferno estiver cheio, os mortos caminharão sobre a terra.", qualquer coisa assim do género, refresca a memória? Anyway, no "Cell", os "zombies" não são fruto de nenhuma patologia contagiosa, mas sim pessoas que estavam a falar ao telemóvel quando "O Impulso" ocorreu... O comportamento deles torna-se louco e agressivo, com instinto homicida (e em alguns casos suicida), e as poucas pessoas "normais" têm que se refugiar... Eventualmente apercebem-se de padrões no comportamento dos "telefonadores" e começam a viver só de noite, sempre a caminho do Norte, onde "o nosso herói" espera encontrar o filho e a ex-mulher sãos e salvos... Pelo caminho deparam-se com outros bandos de pessoas "normais", e como é de esperar, numa sociedade em decadência, desprovida de toda o luxo e tecnologia a que estamos acomodados, até mesmo roubados da própria luz do dia, esses encontros não são tão pacíficos como deveriam ser... É um livro de terror apaixonante mesmo... Se o meu irmão se interessasse pela leitura iria adorar o enredo (porque ele não usa telemóvel)

Quando acabei de ler o "Cell", vi-me incapaz de escolher o próximo livro, e então deixei que o meu irmão o escolhesse por mim, na condição de "caso escolhas algum que eu já tenha lido, dou-te com ele na cabeça, combinado?" "combinado!"... O certo é que o puto escolheu o único livro de Nicholas Sparks que tenho que ainda não li (deve ter sido um golpe de sorte) e embora não estivesse muito virado para isso depois de me ter desiludido com o anterior, trago comigo "Laços que Perduram", e vou lendo, porque o prometido é devido...
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De Factos a Cogitações...

Comecemos pelos factos...

Escrever no blog ocorria com muito mais naturalidade quando era estudante. Porque quando era estudante, bem, aconteciam coisas diferentes todos os dias... Cada dia que passava não era exactamente igual ao anterior... Aprendia coisas novas, conhecia pessoas novas, descobria coisas novas sobre pessoas que já conhecia... Enfim, sentia-me em evolução...

Agora que trabalho (e que além disso apenas durmo) a terça-feira é igual à segunda, e a quarta também o vai ser... Rotina, dia após dia... Uma vez por outra acontece alguma coisa diferente e penso "bem, ora cá está alto sobre que posso falar", mas quando estou com os meus amigos, ou quando alguém me pergunta como vai a vida, acabo por me esquecer disso (muitas vezes acho que é o meu inconsciente que faz por isso...) e no fim, a resposta que resta é "ah e tal... rotineira"

Por que é que isto acontece? Isso tem resposta fácil... Ao longo do meu último ano, algumas das minhas amigas já trabalhavam... Os restantes, sentiamos um misto de inveja, por não trabalhar (que canalizavamos para os estudos e nos tornou bastante mais empenhados e competitivos relativamente aos anos anteriores), e de ciúme, uma vez que sempre que estavamos todos juntos, elas apenas falavam de trabalho... Acho que isso deixou em mim uma espécie de "trauma"... Não gosto de comentar o que se passa no meu trabalho porque simplesmente não gosto quando os outros o fazem...

Depressa aprendi que falar da pessoa A à pessoa B, quando a pessoa B não faz a mínima ideia de quem a pessoa A é apenas origina confusão (a menos que a pessoa B seja um verdadeiro expert em empatia e compreensão, e que nós sejamos imparciais no nosso juízo da pessoa A e verdadeiros experts em descrição...) Isto para dizer o quê? Que eu, que sempre fui um verdadeiro "livro das respostas" (não daqueles que se põe a mão na capa e ele nos diz o que fazer, mas daqueles que não tem qualquer problema em contar-te a sua vida toda) agora simplesmente encolho os ombros quando me perguntam como vai a vida... Quando me perguntam sobre o trabalho sai qualquer coisa como "vai indo"... Quando me perguntam se gosto de estar a trabalhar lá sai my personal favourite "tem dias"... E quando chego ao Blogger e vejo este espaço em branco para escrever... não sai nada...
(Sabes? Agora já te entendo)

Por isso, e até descobrir o botão de play no controlo remoto da minha vida (as minhas metáforas estão cada vez piores) este cantinho vai ter que se contentar com crítica literária (boring, I know), músical (from me?! This should be good), cinematográfica (can't be that hard), e televisiva (that I can do)... E claro, uma ocasional teoria da conspiração, algum discurso inflamado sobre alguma coisa que me enerve, e outras coisas tão típicas de mim... Just don't expect me to talk about my personal life, 'cus I checked, and there isn't one...
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