Hoje troquei de horário com um colega de trabalho porque ele perdeu a carteira, e precisou da manhã livre para ir tratar dos documentos dele... Até me soube bem trocar... Sinceramente, ando a embrutecer devido ao meu estilo de vida vampiresco... Acho que vou pedir à "entidade patronal" para me pôr a rodar juntamente com os outros (ao fim e ao cabo, os meus novos colegas ainda moram mais longe, porque haveria eu de ter o "horário previlegiado"?)... Pode ser que até comece a apanhar um bocadinho de sol e tal, e talvez isso me ajude a regular o sono (embora eu saiba bem o que o perturba)...
Perder a carteira... Coitado... Senti uma certa empatia devido ao meu historial... No meu 2º ano de faculdade, perdi a carteira 3 vezes... A primeira vez foi logo no início do ano, após um jantar de curso (jantares de curso... feels like a lifetime ago), no Diu... Lembro-me de reparar, à ida para o Mau Mau (xiiii, discoteca?! Onde isso lá vai!), que não tinha a carteira comigo!! Corri (aos S) de volta ao Diu, para ver se a tinha deixado lá... nada... os meus amigos insistiram comigo para que fosse ao Mau Mau na mesma... "Pagamos a entrada... anda lá... anda ao menos divertir-te..."... Bullshit! Lembro-me de passar a noite inteira encostado a uma coluna, e de várias pessoas me virem perguntar "ey, o que tens?" "perdi a carteira" "ey... isso é lixado..." toc toc, uma palmadinha no ombro, e voltavam à vidinha deles... Na manhã seguinte, por volta das 10h, acordei com o telemóvel a tocar... Quer dizer, já tinha despertado com as discussões dos meus pais(não estivessemos nós a falar de 2005, né?) mas o que me acordou MESMO foi o telemóvel a tocar, com uma chamada da ESTSP... Esfreguei os olhos para me certificar que estava a ver bem... Tossi uma ou duas vezes, para não parecer que tinha acabado de acordar (como se isso disfarçasse alguma coisa) e atendi... Tinham encontrado a minha carteira!! Uma velhinha (ainda há gente bondosa) tinha telefonado para lá... O marido encontrara a carteira enquanto passeava o cão na noite anterior, e a velhinha mal tinha dormido durante a noite, por pensar que eu nem tinha tido como voltar para casa, sem passe, sem dinheiro, sem nada... Levei um ramo de flores, cortesia da minha mãe, e fui buscar a carteira nessa mesma tarde...
A segunda vez que a perdi, foi menos complicada... Achei-a na mesma tarde, apenas umas horas depois, no café onde tinha almoçado... Mas à terceira, para fazer justiça ao ditado, foi de vez... Tinhamos ido ao cinema, no Parque Nascente, ver O Exorcismo de Emily Rose (os mais covardes foram ver Harry Potter... O Cálice de Fogo se não estou em erro... O trailer tinha um dragão, provavelmente do Torneio dos Três Feiticeiros, por isso deve ter sido o Cálice de Fogo...)... Anyway, durante o filme, após algumas partes assustadoras, ouvimos um BAQUE mesmo estranho... Virei-me para o lado, de olhos esbugalhados, para deparar com uma amiga minha com o mesmo olhar... "Também ouviste aquilo?" "Sim..." "Não foi no filme pois não?" "Não..." "Não quero ver o que foi" "Eu também não..."... Mais tarde cheguei à conclusão que o BAQUE foi provavelmente o som da minha carteira a cair do bolso do casaco... Voltei ao parque nascente no dia seguinte, antes do cinema abrir, depois de termos estado a "ensinar" parasitologia aos putos da primária com os nossos jogos interactivos ("ok, esta bola é frontline... atira o frontline contra as latas de Ice Tea que tem pulgas desenhadas... vês? derrubou não foi? o frontline mata pulgas, tás a ver?" "ya ya, dá cá a bola" oh pah, ideia de génio e não venham cá com coisas :P)... Quando cheguei ao cinema, mandaram-me dar uma volta... Não, literalmente, mandaram-me dar uma volta pelo centro comercial e perguntar aos seguranças... Já sabia que isso não ía dar em nada, porque tinha-a perdido DENTRO da sala de cinema... Depois voltei ao cinema e "Oh pah, se pudesse simplesmente deixar-me entrar e procurar"... Isso e um sorrisinho bastou para que o homenzinho consentisse (ele não me pareceu lá muito heterossexual, e se calhar estava a espera que eu me mostrasse agradecido...)... Entrei na sala de cinema, fui direito ao meu lugar, e nada... procurei na fila inteira, na fila da frente, e na fila de trás... N A D A... Ora, se a perdi na última sessão da noite, se fui lá antes da primeira sessão do dia seguinte, se não havia buracos na sala, e se apenas tinham estado lá as mulheres da limpeza, não preciso propriamente que venha o Hernani Carvalho dizer-me o que aconteceu à carteira, né?
Bem, estou a divagar bastante, porque comecei este post só para dizer que outro dia deixaram na farmácia uma mica (aquelas ceninhas de plástico onde se metem folhas A4, que têm uns furinhos para arquivar... Não lhes chamam "mica"?! Porra, só eu é que lhes chamo "mica"?!) com algumas folhas, entre as quais uma fantabulástica com uma letra, ou poema, ou whatever alusiva à matança do porco... E não resisti a colocá-la aqui...
Disclaimer: Quero deixar bem claro que não sou a favor da matança do porco... Partilho da filosofia da minha mãe (que não foi sequer capaz de ler o poema) que é basicamente "não me importo de comer o bicho, mas não gosto de pensar que o mataram"
Senhoras e meus senhores
vai começar a festança;
agarrei bem, sem temores
o porco para a matança!
Bem valente é o bicho...!
cada qual a uma pata,
à corda e ao rabicho
p´ra eu lhe meter a faca.
De tanto nome na terra
logo havia de ser porco.
Mandara eu, (quem me dera!...)
outro nome lhe havia posto.
Se outro nome houveras posto,
mesmo sonante e bonito,
seria como é teu gosto:
tomado por esquesito.
Que aconteceu, meu amigo,
que te faz andar tão torto?
doi-te abaixo do umbigo
ou foi marrada do porco?...
Não foi marrada do porco
e dores não sinto, não;
se me vês andar tão torto
é culpa do garrafão!
Muita carne tem o bicho,
muito lombo e pouco unto;
p'ra ti vão os chouriços
e eu fico com os presuntos.
Ainda que queiras os bofes
ou da carne entremeada,
contenta-te com os ossos
ou então não levas nada!
Bem... Deixa a lágrima no canto do olho, não deixa?


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